Como nasceu uma parteira
- adrianadelimamello
- 27 de dez. de 2018
- 3 min de leitura
"A consciência é a estrutura das virtudes"
Sir. Francis Bacon

Já não me lembro mais quando foi a primeira vez que narrei que seria enfermeira padrão, risos, ainda enquanto criança.
A contra gosto da minha mãe, que trabalhava como instrumentador cirúrgica em um hospital público de nossa cidade, eu segui este caminho.
Estudei duro e fiz o curso técnico de enfermagem em um colégio estadual, logo quis começar a trabalhar. Aqui a mãe, de novo, que já não havia conseguido me parar da primeira vez teve forte influência, dizia ela:
“- Vá trabalhar com bebês, minha filha!”
Então, meu primeiro trabalho em 2004 foi de técnica de enfermagem em uma unidade alojamento conjunto de uma maternidade do interior de Campinas/SP. Era bem jovem, apenas 18 anos, 6 horas de trabalho, 7 dias por semana, com 6 folgas no mês. Ainda me lembro de chorar todo o primeiro mês, achando que não ia dar conta, afinal haviam dias que sozinha assistia a 15 mães e bebezicos. Amadurecimento, erros, aprendizados, desenvolvimento, com muito apoio, ajuda dos colegas de trabalho que moram até hoje em meu coração e, estudo... Nunca mais sai da Maternidade!
É verdade até tentei, me pus à prova quando terminei a faculdade de enfermagem, 5 anos depois que comecei a trabalhar, mas não era isso...eu havia mesmo me apaixonado por mães e bebês.
Passados 3 anos no alojamento conjunto, mudei de horário e setor, fui trabalhar na sala de parto, foi lá...acompanhando no dia a dia as mulheres em trabalho de parto, os partos, que despertou em mim o cuidado e foi a frase de uma amiga médica, que havia feito residência no mesmo hospital e ano depois voltou-se para o atendimento humanizado que deixou o “bixinho” da humanização me picar:
“- Dri, você é tão carinhosa e atenciosa, já pensou em fazer Obstetrícia? Ser doula? @parindocomrespeito
- Será Mari? (Mas segui pensando no assunto)”
2010 este foi o ano divisor de águas!
Foi o ano que comecei a minha pós em Obstetrícia no UNASP- SP, fiz curso de Doula, educadora perinatal, conheci Michel Odent , Hugo Sabatino, Naolí Vinaver e também a minha amiga, parceira e marida de trabalho @camilinhaclaro. Em uma carona despretensiosa para a pós, domingo a domingo discutindo sobre humanização e, nascimentos ela que já estava inserida neste mundo desde 2007 me deu e mão e disse vêm comigo!
Em 2011, ao concluirmos nossa pós, atendemos nosso primeiro parto domiciliar juntas!

Em 2012, decidi que meu tempo no hospital tinha dado, “quero dar e receber mais para e das mulheres”, uma troca íntima, uma busca a realização e assistência ao parto respeitoso que ainda caminhava a passos de formiga dentro do ambiente hospitalar.
Em 2013, inauguramos uma cede do Arte de Nascer - @artedenascer que já existia em São Carlos, fundado pela Camila com a Jamile, e seguimos os atendimentos, pré-natal, partos domiciliares e atividades de grupos para gestantes, famílias e mães no pós-parto com muita dedicação, estudo e carinho!
E estou cá, seguindo neste caminho, por um tempo a parteira vai ficar apenas estudando e atuando virtualmente, por motivos éticos legais, quem me conhece sabe que este é um princípio que levo muito a sério, e preciso percorrer um caminho antes de começar tecnicamente a atuar aqui em Portugal. Mas a doula...ah! esse sim continua aqui, sim porque sempre esteve e faz parte de mim, pronta para caminhar junto nesta jornada para a conquista de um parto respeitoso, e para que a mulher vivencie uma gestação de cuidado e carinho.
Empenhada em ajudar a mudar o mundo...o seu, o meu , o nosso!!
“Para mudar o mundo é preciso mudar a fora de nascer”
Michel Odent
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